TEORIA DOS SONHOS, SEGUNDO A NEUROCIENCIA.
Freud e Jung foram os psicanalistas que mais exploraram o
temas dos sonhos. Para eles, os sonhos são desejos inconscientes reprimidos
pelo ego, podem ser considerados também reminiscências dos acontecimentos
diários (Freud). Outra explicação ainda é de que os sonhos são símbolos
arquetípicos que estejam relacionados com a história de vida de cada pessoa
(Jung). O fato é que para a teoria psicanalítica os sonhos são sempre objeto de
interpretação simbólica e subjetiva.
Pode até ser que os autores acima estejam certos, mas isso não contradiz a
leitura contemporânea dos sonhos a partir de estudos da neurociência e da
neuropsicanálise.
Suzana Herculano e Robert Lent escrevem sobre o assunto e são categóricos:
todos os mamíferos (e algumas aves) sonham. Isto é fato. Mas por que muitas
pessoas nunca se lembram de seus sonhos? A resposta está relacionada aos vários
circuitos cerebrais que regulam os sonhos, entre eles, o sono e a vigília e
mecanismos da memória.
Durante a vigília nosso cérebro está imerso com duas substâncias importantes: a
acetilcolina e noradrenalina, elas são responsáveis pela capacidade de
memorização dos fatos ocorridos durante o dia (entre outras funções). Já no
período do sono, as produções destas substâncias diminuem e aumentam a produção
de serotonina, a qual faz com que nossos sonhos (imagens mentais) não sejam
reproduzidos em movimento muscular, há um mecanismo de bloqueio dos músculos.
A hipótese, já confirmada, de alguns cientistas americanos (Tononi, Chiara, e
cols, 1996) é de que a acetilcolina e noradrenalina são responsáveis pela
conexão entre os fatos ocorridos durante o dia: nossas ações, pensamentos,
sentimentos, etc. com os circuitos “matrizes” já existentes, gravando aquela
informação como memória de trabalho, curto ou longo prazo. Ou seja, estas
substâncias são importantes para a formação da memória em si. Mas dependem da
nossa vigília, a qual está relacionada com a atenção.
Bem, como eles fizeram pra provar esta hipótese? Lesaram a área responsável
pela produção destas substâncias (somente em um lado do cérebro, o locus
coerulus), de ratos, e os deixaram acordados durante muitas horas. Durante a
vigília mediu-se cada lado do cérebro do rato para saber se a produção destas
substâncias tinha diminuído em função da lesão e quais os efeitos desta
intervenção.
A resposta foi: SIM! Confirmou-se a hipótese inicial. Isso significa que os
pesquisadores concluíram que com a diminuição de acetilcolina e noradrenalina
circulante no cérebro não foram observadas as novas conexões neurais,
diminuindo a capacidade de memória. É assim que nosso cérebro funciona durante
os sonhos: com a baixa destas substâncias. Por isso sonhamos, porém não
lembramos...
A autora dá algumas dicas para quem quiser lembrar os sonhos, uma delas: um dia
quando acordar espontaneamente (sem despertador) prolongue este momento (entre
o sono e a vigília) e tente jogar as informações oníricas para a sua memória de
curto prazo, faça o circuito funcionar conscientemente, então você terá acesso
aquelas informações durante o dia, até o próximo sonho chegar...

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